Performance of Students Admitted through Affirmative Action in Brazil

August 11, 2017

(Tradução em Português Disponível Abaixo)

After the Brazilian Supreme court deemed affirmative action to be legal and constitutional in 2012, much of the debate on the merits of affirmative action shifted to focus on its effectiveness. One of the most controversial aspects of admission through affirmative action is the issue of competence. Students who qualify for affirmative action—nonwhites from public schools of lower socioeconomic status—underperform in the vestibular and ENEM (Costa Ribeiro and Klein 1982; Mascarenhas 2001; Guimarães 2003; Velloso 2005, 2006; Valente 2013, 2016a, 2016b), thereby leading some professors and administrators at public universities to argue that affirmative action will diminish and degrade the quality of education (Pacheco and Silva 2007; Sander and Taylor 2012).  Some believe that university slots should be reserved for the best students who are able to pass the entrance exam (Goldemberg and Durham 2007). The argument follows that students entering through affirmative action quotas are not able to follow lectures, read and interpret texts, do seminars and lab research, or write scientific reports, forcing instructors to lower the level of the curriculum or to delay material deliverance, impairing qualified students selected through traditional methods (Pacheco and Silva 2007).

As a result, some claim that affirmative action policies will contribute to reducing quality of university education as it violates the merit criterion for admitting students (Goldemberg et al 2013; Goés 2004; Castro 2004). For example, after the State University of Campinas (Unicamp) adopted racial quotas, a professor of the School of Medicine posted on social media that the level of productivity and the quality of education will reduce as a consequence of quotas. He went on to say that quotas exchange “brains for butts”—a prejudice and racist reference to Afro-descendant’s buttocks (Revista Forum 2017). Given the controversy surrounding affirmative action policies, particular racial quotas, our research aims to explore and answer the question of whether or not affirmative action policies reduces the quality of education in institutions of higher education.  

Our recent study examines the results of the ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) examination in 2009-2012 to determine whether there is a relationship between students’ performance at the university level and the manner of their admittance. We find that students who were admitted to public universities under affirmative action perform at similar levels to students who were not, while quota students in private universities perform slightly better than students admitted through traditional methods.

This work consists of an initial effort in challenging the theory that quota students perform at inferior levels than students admitted through traditional methods. Affirmative action policies have been an effective mechanism for democratizing access to higher education and for expanding access of nonwhite and poor youth to universities in Brazil without compromising the quality of education. Given the continuing debate over affirmative action programs in Brazil, our findings are important and certainly lend credence to arguments in support of the effectiveness of affirmative action, particularly that of social and racial affirmative actions combined.


(Portuguese Translation)

Após promulgação da legalidade e constitucionalidade das Ações Afirmativas pela Suprema Corte Federal Brasileira, o foco do debate sobre o mérito da Lei das Cotas passou a ser sua efetividade. Um dos aspectos mais controversos das cotas em universidades brasileiras é a questão da competência. Alunos cotistas—negros, pardos, provenientes de escolas públicas e de baixa renda—tendem a ter desempenho inferior à de outros alunos no vestibular e no ENEM (Costa Ribeiro and Klein 1982; Mascarenhas 2001; Guimarães 2003; Velloso 2005, 2006; Valente 2013, 2016a, 2016b), o que leva professores e administradores a argumentarem que as cotas irão diminuir a qualidade da educação (Pacheco and Silva 2007; Sander and Taylor 2012). Alguns acreditam que as vagas universitárias deveriam ser reservadas exclusivamente para os alunos mais bem preparados, que por mérito próprio passam no exame de admissão (Goldemberg and Durham 2007). Com base nesse raciocínio, alunos que entram por cotas não seriam capazes de acompanhar os cursos, ler e interpretar textos, preparar seminários e conduzir pesquisa em laboratórios, ou escrever relatórios científicos, forçando professores a reduzir o nível dos cursos por eles ministrados, assim como o progresso dos mesmos, em detrimento de alunos que entraram por vias tradicionais (Pacheco e Silva 2007).

Como resultado, existem aqueles que defendem que as cotas contribuem para a redução da qualidade de ensino nas universidades, visto que o critério de seleção baseado em mérito é violado (Goldemberg et al 2013; Góes 2004, Castro 2004). Por exemplo, após a adoção das cotas raciais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), um professor da faculdade de Medicina publicou nas redes sociais que a produtividade e a qualidade da educação foram reduzidas devido às cotas. Foi ainda mais longe ao dizer que as cotas significam trocar “cérebro por nádegas”—um comentário bastante desrespeitoso e racista (Revista Fórum 2017).  Dada a atual divergência de opiniões no tocante às ações afirmativas em universidades Brasileiras, a presente pesquisa visa explorar e responder às seguintes questões: as cotas reduzem, ou não, a qualidade da educação em instituições de ensino superior? Estudantes admitidos através de ação afirmativa demonstram o mesmo nível acadêmico dos estudantes admitidos através de métodos tradicionais?

Este trabalho visa analisar os resultados do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) durante o período de 2009 á 2012 para determinar empiricamente se existe uma relação entre o desempenho dos alunos no âmbito universitário e as modalidades da sua admissão. Nossa análise estatística revela que os estudantes que foram admitidos em universidades públicas através de ações afirmativas têm o mesmo desempenho acadêmico de estudantes que não se beneficiam de cotas; enquanto alunos cotistas em universidades privadas têm um desempenho um pouco melhor do que alunos que são admitidos através de métodos tradicionais.

Nossa pesquisa coloca em questão argumentos que alegam desempenho inferior aos demais por parte de alunos cotistas e redução da qualidade da educação em universidades brasileiras. Nossa análise demonstra que políticas de ações afirmativas têm sido um mecanismo bastante efetivo para a democratização e expansão do acesso à educação superior no Brasil sem comprometer a qualidade de ensino. Dado o contínuo debate e controvérsia em torno das mesmas, nossos resultados providenciam credibilidade e evidência empírica que fortalecem os argumentos em favor das ações afirmativas, particularmente o de sua eficácia, no tocante a medidas que combinam cotas sociais e raciais juntas.

 


Valente, R.R. & Berry, B.J.L., (2017). Performance of Students Admitted through Affirmative Action in Brazil. Latin American Research Review. 52(1), pp.18–34. DOI: http://doi.org/10.25222/larr.50


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About Author(s)

Rubia R. Valente
Dr. Valente is a Visiting Lecturer in the Department of Sociology at Princeton University and a Research Associate at the School of Economic, Political, and Policy Sciences at the University of Texas at Dallas (UT Dallas). In the Fall, she will be joining the faculty at Baruch College of the City University of New York (CUNY). Dr. Valente received her B.A. in International Relations from Southern Methodist University, and her Master degree in International Political Economy and Ph.D. in Public Policy and Political Economy from UT Dallas. Dr. Valente’s research interests reside in using quantitative methods to examine economic and social development issues, with a special focus in Latin America and Brazil. Her main interest lies in the socioeconomic inequalities due to race, class and gender in the context of social, political, and religious institutions. She also studies happiness (a.k.a., well-being, quality of life, life satisfaction), and is interested in social movements and political protests. Dr. Valente has published in many peer-reviewed journals such as the Geographical Review, Cities - The International Journal of Urban Policy and Planning, Journal of Happiness Studies, Race Ethnicity and Education, Latin American and Caribbean Ethnic Studies, Applied Research in Quality of Life, Journal of Brazilian Studies (Brasiliana), PentecoStudies, and the Journal of the Society for Pentecostal Studies (PNEUMA).
Brian J.L. Berry
Dr. Brian J.L. Berry is Lloyd Viel Berkner Regental Professor and Professor of Political Economy at the University of Texas at Dallas (UT Dallas). He received his B.Sc. (Economics) degree at University College, London in 1955, the M.A. in geography from the University of Washington in 1956 and the Ph.D. in 1958. He was a faculty member at the University of Chicago (1958-1976), at Harvard (1976-1981), and a dean at Carnegie-Mellon (1981-1986), joining UT Dallas in 1986. In the 1960’s his urban and regional research sparked geography’s “quantitative revolution” and made him the most-cited geographer for more than 25 years. Dr. Berry is the author of more than 550 books and articles, he has attempted to bridge theory and practice via involvement in urban and regional development activities in both advanced and developing countries. He was elected to the National Academy of Sciences in 1975, is a fellow of the British Academy and of the American Academy of Arts and Sciences, and received the Victoria Medal from the Royal Geographical Society in 1988. In 1999, he became the first geographer to serve as a member of the Council of the National Academy of Sciences and in 2004 was a founding member of the Texas Academy of Medicine, Engineering and Science (TAMEST). In 2005, he was named the Laureat Internationale de Geographie 'Vautrin Lud' (geography's 'Nobel Prize') and became a Fellow on the American Institute of Certified Planners.